Essa poesia,
tem sentido.
É para mostrar que ela é,
recursivamente,
Sem Sentido.
Ivan Quirino
Essa poesia,
tem sentido.
É para mostrar que ela é,
recursivamente,
Sem Sentido.
Ivan Quirino
O desespero que dá
de ver o tempo passar
E eu sem caminhar
e o tempo passar
E não conseguir ouvir a melodia
e o tempo passar
E perder o ritmo
E me fugir meus versos
E me escapar a ciência
e o tempo passar
E com o tempo
também passa o desejo
E com o tempo
passa eu sem amar
É o desespero que dá
de ver o tempo passar
Ivan Quirino
Não são grandes
Mas do tamanho certo
Encaixam em ti
No lugar que se deve
Se distribuem do jeito belo
Para formar tuas proporções
…
A proporção ,
Que de tão perfeita me dá medo
Mas que me atrai ao perigo.
A proporção que percebo
É o fervor que queima
E o tremor que sinto
…
E quando meus olhos te varrem
Consumindo teu busto e teus seios
No teu ventre sagrado,
O prazer se apossa do sentidos
E na tua carne
Acontece o meu destino
Ivan Quirino
A solidão é fera
A solidão devora
É amiga das horas
Prima-irmã do tempo
E faz nossos relógios
Caminharem lentos
Causando um descompasso
No meu coração
Alceu Valença
O avô morreu de cana
O pai morreu, de cana
A mãe, morreu de cana
E a avó morreu de vinho
A tia era da cachaça
O tio amava whisky
O primo morreu de cana
A prima morreu, de cana
E o filho?
O filho,
O filho morreu também…
…
…
Morreu de amor
[pra torar na emenda]
Ivan Quirino
Quando te falo
Estás saindo
Se telefono
Está ocupado
Um recado
Não respondes
Dos meu braços
Tu escapa
Onde te escondes?
Nunca estás em casa
…
Ainda assim,
O teu perfume suspiro
E nos teus cabelos,
Nos teus cabelos,
Me perco
Ivan Quirino
Pirulito e Primo Pinto
Pirulito foi na padaria, pedir o pão da tia
Chegou lá não tinha, foi ver o que fazia
Decidiu ir na vendinha, o que lá tinha era farinha
Perguntou para vizinha, mas só viu a putaria
Ela de quatro só gemia, e o negão só a fodia
Então ele foi falar pra tia: “Tia, não tem.”
“Que conversa menino, vá lá leve seu primo”
Pirulito foi de moto, “Segura, muleque senão eu te aborto!”
Ele chegou no mercado, coisa grande pra caralho
Olhou pro lado tinha alho, do outro só chocalho
Procurou a padaria, lá no fundo
Mas ficou mudo, e surdo
De tanta gata nesse mundo
“Peraê, muleque, eu vou é paquerar”
“Vai lá comprar o pão, se eu levar um fora, a gente vai chegar”
“Aí gata, meu nome é Pirulito, como vai o piriquito?”
“Se liga bandido, meu namorado é garantido!”
“Trinta quilos de supino, 5 é só no pinto”
“Qualé gata? De boa, tu é a maior coroa!”
“Já comprei o pão, Pirulito, vamo é se mandar”
“Essa gata tá acabada, o negócio é vazar”
“Você tá é certo, primo Pinto, vamo pegar subindo”
Pirulito pega a lambreta, linda como a lua
A moto é seu xodó, parece mulher nua
Pula, quebra, passa logo para a rua
“Segura, Pinto! A moto é toda tua!”
Corre, faz curva, ultrapassa a perua
Por um milagre, primo Pinto chega em casa
“Toma, Tia Clara, o pão e a cocada”
“Muito bem, menino, agora vai dormir, vai!”
Ivan Quirino
E se me permites roubar-te a expressão
Caminhamos como namorados
E se me permite manter esta ilusão
Quero seguir sempre namorado teu
Sem beijo, sem sexo, e o nexo cadê?
Nu de corpo e alma esperando
Veja quero te mostrar, eu
Nada desse medo que sem querer
Transpôs o topo de meu confuso entender
Me olhe sem essa de pudor
Sim me olhe assim
Sem o respeito reto, que um carente eterno
Tem à dama de seu mundo
Merecendo enfim, suspiro de grafite
Que um poeta triste, desenha tudo mudo
Autor Desconhecido
P.S.: Em breve descobrirei o autor.
Difíceis são os dias que estou sem ti
As horas distante são frias
Os minutos são de euforia
Começo a contar os segundos
Que passam devagar, longe de você
Em momentos oportunos,
Sem pressa, sem agonia
Te diria
Que longe de ti,
É sem sentido
Sem motivo
Monótono
Então irei de encontro a ti
E em noites frias
Te tirar a melancolia
Para passar, todos os segundos
Juntinho, coladinho, perto de você
Ivan Quirino