Arquivos da Categoria: Música

Pão Doce

Não adianta mentir pra mim mesma
Ficar me enganando, tentando dizer
Que nunca na vida, nunca na vida eu gostei de pão doce
Porque por mais que eu queira esconder
A verdade é que eu adorava pão doce
Não podia passar sem pão doce
Bastava ver padaria, que logo eu ia, que logo eu ia
Comprar
Não adianta mentir pra mim mesma
Porque no fundo, porque no fundo eu sei muito bem
Que essa história toda de não comer açúcar
Que essa história toda de não comer pão branco
Que essa história toda de viver de mel e pão integral
Isso tudo só foi começar muito depois
Depois de um tempo em que eu era
Tão completamente ingênua
Tão sem força de vontade
Que as doces delicadezas
De qualquer guloseima
Lânguidas me seduziam
E minha língua sofria
De incontrolável fascínio
Por cremes dourados
E frutas cristalizadas
Feito rubis incrustadas
Nas crostas crocantes dos pães
Mas hoje
Hoje tudo é diferente
Se eu olho pruma padaria, me ponho cismando, chego a duvidar
Como é que pôde um dia
Eu ter entrado tanto lá!…
Porque por mais que eu queira, mas que eu queira
Mentir pra mim mesma
Ficar me enganando, tentando dizer
Que nunca na vida, nunca na vida eu gostei de pão doce
Fazendo um exame detido, sendo sincera, eu tenho que admitir
Que a verdade, meus amigos
(pelo menos no que tange a trigos)
A verdade no duro, doa a quem doer
A verdade é que eu adorava pão doce

Carlos Sandroni

The sleeper:
Shine- lake of fire
Lines take me higher
My mind drips desire
Confined and overtired

Living this charade
Is getting me nowhere
I cant shake this charade
The citys cold blood calls me home
Homeits what I long for
Back homewhere I belong

The city- it calls to me
Decadent scenes from my memory
Sorrow- eternity
My demons are coming to drown me

Help- Im falling, Im crawling
I cant keep away from its clutch
Cant have it, this habit
Its calling me back to my home

The miracle:
I remember the first time she came to me
Poured her soul out all night and cried

I remember I was told theres a new love thats born
For each one that has died

I never thought that i
Could carry on with this life
But I cant resist myself
No matter how hard I try

Living their other life
Is getting them nowhere
Ill make her my wife
Her sweet temptation calls me home
Homeits what I long for
My homewhere she belongs

Her ecstasy- means so much to me
Even decieving my own blood
Victoria watches and thoughtfully smiles
Shes taking me to my home

Help- hes my brother, but I love her
I cant keep away from her touch
Deception, dishonor
Its calling me back to my home

Nicholas:
Her story- it holds the key
Unlocking dreams from my memory
Solving this mystery
Is everything that is a part of me

Help- regression, obsession
I cant keep away from her touch
Leave no doubt, to find out
Its calling me back to my home

Mike Portnoy

flyer net FINAL

Amanhã, dia 9 de Maio de 2009, o grupo Baluarte estará lançando o seu primeiro álbum, Semaforizado. O Baluarte é um dos melhores grupos musicais de João Pessoa, que preza pela riqueza das letras, da melodia, do arranjo instrumental. É bonito de escutar e de ver. Esse show eu não perco por nada!

Elis Regina - Montreux Jazz Festival

Elis Regina - Montreux Jazz Festival

Montreux Jazz Festival? De novo?

Agora com Elis Regina, eu não preciso explicar, porque é sem palavras a arte dessa mulher. É de tirar a respiração, parar o coração e deixar somente os ouvidos a se deleitar com aquilo que é uma das performances mais incríveis da cantora mais incrível que nasceu no Brasil. Destaque para “Cobra Criada”, “Ponta de Areia / Fé Cega, Faca Amolada / Maria”, “Asa Branca” e “Águas de Março”. Simplesmente um dos melhores álbuns que eu já ouvi.

Vejam o vídeo do Medley de Milto Nascimento, é irado demais:

“Madalena, o que é meu não se divide
Nem tão pouco se admite
Quem do nosso amor duvide
Até a lua se arrisca num palpite
Que o nosso amor existe
forte ou fraco alegre ou triste”

Se liga aí, Madalena!

Montreux Jazz Ao Vivo

Montreux Jazz Ao Vivo

“…Remelexo aqui, remelexo lá, remelexo cá, remelexo em qualquer lugar…”

Essa é a frase que o Hermeto Pascoal esbraveja em um dos álbuns mais sensacionais que já escutei: Hermeto Pascoal – Montreux Jazz Ao Vivo.

Nosso alagoano nascido em Arapicara saiu da nossa terra para tocar a nossa música lá na Suíça, em 1979. Em cada música do show ele mostra porque é o mais criativo, irreverente, inovador, undeground, maluco e totalmente incrível músico que nasceu no país do futebol.

Na música “Forró em Santo André” o saxophone embala com um tema bonito que se transforma a cada estrofe, e mostra logo a sua mágica da improvisação e experimentalismo.

Em “Remelexo” ele canta, e faz uma  improvisação vocal alucinante, muito louca e divertida.

“Sax e Aplausos” é mais puxado para o jazz, e como sempre o véio fica doido e mostra a alma novamente no improviso.

Em “Fátima” ele faz um ritmo dançante e ao mesmo tempo experimental e bastante expressivo.

Não vou dar o resto do bolo para vocês, vão e escutem o disco, vocês sabem onde encontrar.

Show do dia 18/01/2009

Vídeos do show do dia 18/01/2009

Só me beija se for em espanhol
Besos!
São tão mais doces e carinhosos desse jeito
Sobe pela espinha dorsal do sentimento
E explode no meu rosto
Faiscando de  alegria o meu dia
E esquentando de emoção
O que antes estava frio e sem graça

Tu é um chocolate amargo
De onde o prazer não vem da tua doçura
Mas sim das tuas brincadeiras, da ironia
Das mordidas, dos tapas
De quando me chamas de animal!
Eu adoro isso!

É essa mistura do violento com o doce
De pancadas e abraços
Que faz meus dias melhores
Desde que te conheci

Vídeos do Alieenígenas no MPB Sesc 2008!!! O primeiro vídeo mais curto, foi filmado mais de perto, o segundo é mais longo e tem também a entrevista, além de ser filmado de longe.

Não gosto desse nome, prefiro Baixo mesmo. Porque tem que ser Contrabaixo? Não sou contra o baixo, do contrário, sou a favor, e acho que deveria ser Próbaixo. Não confudam com pra baixo. Aí já é uma questão de de ordem psicológia, o que não vem ao caso. Em inglês chamam de Double Bass, não tem nada de duplo nele, mas chamam assim. Só que o contrabaixo e o double bass são instrumentos para os chatos de orquestras e puristas do jazz.

E o que veio mesmo cair no meu gosto foi o Baixo, Baixo Elétrico, que gasta energia porque precisa ser amplificado, e que sem amplificador fica baixinho mesmo. O Baixo que lá em cima chamam de Bass Guitar. Guitarra Baixo, confundiu? Pois é justamente o que ele é, uma Guitarra, só que baixo, grave. O Tio Leo Fender inventou a guitarra elétrica, para fazer um barulho danado, e deixou os baixistas bem baixinhos mesmo. Aí então que ele teve outra sacada genial, inventou de pegar as cordas do baixo, o corpo da guitarra e fazer um novo instrumento, e surgiu o Precision Bass Guitar. Eita, agora mais um nome para o contrabaixo, quer dizer, baixo, só baixo. Precision com bastante precisão. O contrabaixo dos chatos de orquestra não tinham trastes, não tinham o divisor feito em metal que separa as notas musicais, tinham acertar de ouvido mesmo, tornando mais chato ainda aprender o contrabaixo da orquestra.

Colocando os trastes na Guitarra Baixo, ele criou um instrumento que soava como um contrabaixo, parecia uma guitarra elétrica, e tocava-se como… como você quiser. Com uma palheta, com os dedos ou com os dentes, agora todo mundo podia aprender o baixo. E eu também.

Não quis aprender a tocar baixo, não queria tocar baixo. Mas foi por uma necessidade, não minha, mas da banda da qual sou integrante, não a necessidade de uma “pessoa” para  tocar baixo, mas a necessidade musical de haver um baixo. A música pedia sons graves. Porque pede sons graves, estou descobrindo com o tempo. Dizem que o ritmo é o esqueleto da música, mas o grave serve pra quê? Dizem que se encaixa no mesmo papel do ritmo, é esqueleto também. Dizem que o baixo é para manter o ritmo e harmonia da música, que o baixo é o que segura a banda, dizem que é a cozinha. Talvez pelo próprio timbre e altura do instrumento ele se encaixa nessa posição. O baixo preenche, com um som amplo e gordo, a música. Talvez tenha essa função no sentido de que todas as faixas do espectro sonoro tenham que ser preenchidas.

O baixo no grave, a guitarra nos médios e agudos… Então dentro dessa concepção de esqueleto e ritmo, e cozinha, de tanta cozinha o baixo ficou gordo e lento. Então enquanto o cabelo do Elvis e o iêiêiê dos Beatles reinava, o baixo teve uma função meramente auxiliar, que só veio mudar quando os cotonetes black power funkeiros americanos resolveram mostrar o potencial escondido do baixo, e inventaram o Groove, brother… Groove de verdade, criativo, balançado. E o groove inundou tudo, invadiu o Jazz e criou Jaco Pastorius, a lenda do baixo, que eu recomendo pra quem quiser saber o que é fazer arte com um instrumento. E a partir de Jaco o baixo elétrico se solidificou e se desenvolveu como um instrumento de inúmeras possibilidades.

Então depois de pensar isso tudo, me pergunto qual é o meu papel nessa história de baixo. A afirmação que mais me fez sentido é que “O baixo está a serviço da música”. Pois é, a serviço da música indica que o baixista deve sentir a música e entendê-la, e dedicar toda a sua criatividade para dar para música aquilo que ela pede de você. É bem diferente de marcar ritmo, ou de ser o instrumento principal na banda, como alguns fazem. É uma questão de que a composição é maior que os instrumentos individuais, e que tudo deve interagir para formar um todo. O músico deve entregar-se à composição.

Não  estou querendo me gabar, mas acho que Jaco Pastorius pensava da mesma forma. Ao escutar um disco dele, dá para perceber que o baixo não é o principal, mas sim a música. E a partir da música é que ele invoca a sua genialidade de instrumentista.

Então concluo dizendo que o músico deve servir à música, e não ao seu instrumento.

O mais importante é criar música, fazer coisas novas e não ter medo de quebrar as fronteiras da criatividade.

Ivan Quirino

(O texto acabou ficando meio sério no final, comigo é assim, começo na inocência, e daqui a pouco entro em estado de reflexão, coisa de doido mesmo.)