Da Wikipédia: “Coco, coco-da-praia, coco-da-índia ou ainda coco-da-baía é o fruto do coqueiro” Interessante saber não é??
Foi em um dia que tinha 2 cocos na geladeira da casa dele. Desde que aqueles cocos tinham chegado, ele paquerava com os cocos. Quando abria a geladeira para pegar um copo d’água, passava os olhos sobre os cocos e sentia o desejo de saboreá-los. Sabedor do valor nutritivo que os cocos possuíam, ricos em potássio, sódio, fósforo, cloro e fibras, além do ótimo sabor, ele planejou o dia e a hora de digerir-lhes de uma vez por todas. Seria no dia seguinte, à tarde, quando estivesse sozinho em casa. Dormiu pensando em cocos:
” …é um alimento adequado contra aterosclerose, para o sistema nervoso, cérebro e pulmões, além de ser um bom alimento para os diabéticos. A água de coco é muito saborosa. Pode ser empregada como diurético, por ser inofensiva e rica em sais de potássio. É também indicada nos casos de diarréia, vômitos ou mesmo desidratação. Tem grande eficácia nos casos de pressão alta, problemas cardíacos, cãibras, astenia, dores de cabeça e mal-estar. Ajuda também no crescimento infantil e no combate ao colesterol.”
O coco verde. O coco maduro não é indicado para cardíacos ou hipertensos.
Quinta-feira, três horas da tarde. Chega a hora que havia planejado para comê-los. Tirou um coco da geladeira, preferiu deixar o outro para a sexta-feira. O coco já havia sido cortado previamente para facilitar sua vida. Então pegou sua faca, procurou a parte mais fina da casca e golpeou o coco com relativa força e fez um pequeno corte, que não permitia que a água jorrasse. Após sucessivas facadas ele abre um buraco suficiente e derrama a saborosa água em um copo e bebe-a. Satisfação maior não houve naquele dia cansativo cheio de pensamentos.
Então percebeu que a água não era o bastante, e percebeu que o coco estava recheado da saborosa “carne de coco”. Sendo classificado como uma drupa fibrosa, o coco foi perfurado até polpa, que envolve a água. O buraco que havia feito não era suficiente para coletar a polpa. Para isso o coco teria de ser dividido em dois. Teria de abrir uma imensa fenda ao longo do mesocarpo fibroso (casca) e do endocarpo lenhoso( caroço interno).
Pegou a faca e golpeou-o. Golpeou-o diversas vezes no mesmo canto, golpeou com força até abrir uma pequena fenda, até ver que daquele modo a faca iria ficar presa no mesocarpo, até que a frustração por não ter comido ainda da carne de coco subiu à cabeça e trouxe meios brutais de abrir um coco. Pegou um martelo com a outra mão, e com uma faca na outra olhou para o coco e gritou: “Morra, desgraçado! Você é meu!! Vou devorá-lo até seu ultimo pedaço, até a última fibra, até que não haja mais lembrança sua neste mundo!!!”. Com um golpe fincou em dois centímetros a faca ao longo do comprimento do coco, e com a outra mão golpeou com o martelo em cima da faca, golpeava em ritmo constante, quase ritual, e a faca ia aprofundando-se na casca fibrosa.
O balcão da cozinha estremecia a cada batida, e junto com ele a louça que estava para secar, e os copos na prateleira de cima, tudo tremia em uníssono com a violência desmedida do homem contra um simples fruto da natureza. Só existia para aquele ser, naquele momento único, o coco, sua faca e seu martelo. O seu desejo era só o que importava, que dane-se o resto, seus copos e seus pratos, os vizinhos e quem mais achasse que ele estivesse louco. Naquele instante, aquele ser era a ganância, a ambição e a gula.
Virou o outro lado do coco, fincou a faca, golpeou com o martelo e continuou sua ira, batendo cada vez mais forte, até que rachou o caroço. Então nesse momento ele para e olha o que acabara de concluir e vê o coco abrir-se, como a coisa mais simples que há, do mesmo jeito que abrimos a porta da geladeira de madrugada para pegar chocolate. Então pegou sua colher e as duas bandas do coco, sentou-se no sofá da sala, ligou a televisão para assistir Os Simpsons, e, colher por colher, comeu a polpa do coco lentamente, saboreando cada minuto da sua vitória, da faca e do martelo.
Quando foi jogar os restos mortais do coco do lixo, olhou toda a desordem que acabara de fazer, e lembrou-se dos seus tempos de criança: “…Eu batia o coco na calçada, batia só uma vez, e tinha a água, outra batida, o coco abria e eu tinha a carne. Olha só o que eu fiz…”.
Ivan Quirino
