Não gosto desse nome, prefiro Baixo mesmo. Porque tem que ser Contrabaixo? Não sou contra o baixo, do contrário, sou a favor, e acho que deveria ser Próbaixo. Não confudam com pra baixo. Aí já é uma questão de de ordem psicológia, o que não vem ao caso. Em inglês chamam de Double Bass, não tem nada de duplo nele, mas chamam assim. Só que o contrabaixo e o double bass são instrumentos para os chatos de orquestras e puristas do jazz.
E o que veio mesmo cair no meu gosto foi o Baixo, Baixo Elétrico, que gasta energia porque precisa ser amplificado, e que sem amplificador fica baixinho mesmo. O Baixo que lá em cima chamam de Bass Guitar. Guitarra Baixo, confundiu? Pois é justamente o que ele é, uma Guitarra, só que baixo, grave. O Tio Leo Fender inventou a guitarra elétrica, para fazer um barulho danado, e deixou os baixistas bem baixinhos mesmo. Aí então que ele teve outra sacada genial, inventou de pegar as cordas do baixo, o corpo da guitarra e fazer um novo instrumento, e surgiu o Precision Bass Guitar. Eita, agora mais um nome para o contrabaixo, quer dizer, baixo, só baixo. Precision com bastante precisão. O contrabaixo dos chatos de orquestra não tinham trastes, não tinham o divisor feito em metal que separa as notas musicais, tinham acertar de ouvido mesmo, tornando mais chato ainda aprender o contrabaixo da orquestra.
Colocando os trastes na Guitarra Baixo, ele criou um instrumento que soava como um contrabaixo, parecia uma guitarra elétrica, e tocava-se como… como você quiser. Com uma palheta, com os dedos ou com os dentes, agora todo mundo podia aprender o baixo. E eu também.
Não quis aprender a tocar baixo, não queria tocar baixo. Mas foi por uma necessidade, não minha, mas da banda da qual sou integrante, não a necessidade de uma “pessoa” para tocar baixo, mas a necessidade musical de haver um baixo. A música pedia sons graves. Porque pede sons graves, estou descobrindo com o tempo. Dizem que o ritmo é o esqueleto da música, mas o grave serve pra quê? Dizem que se encaixa no mesmo papel do ritmo, é esqueleto também. Dizem que o baixo é para manter o ritmo e harmonia da música, que o baixo é o que segura a banda, dizem que é a cozinha. Talvez pelo próprio timbre e altura do instrumento ele se encaixa nessa posição. O baixo preenche, com um som amplo e gordo, a música. Talvez tenha essa função no sentido de que todas as faixas do espectro sonoro tenham que ser preenchidas.
O baixo no grave, a guitarra nos médios e agudos… Então dentro dessa concepção de esqueleto e ritmo, e cozinha, de tanta cozinha o baixo ficou gordo e lento. Então enquanto o cabelo do Elvis e o iêiêiê dos Beatles reinava, o baixo teve uma função meramente auxiliar, que só veio mudar quando os cotonetes black power funkeiros americanos resolveram mostrar o potencial escondido do baixo, e inventaram o Groove, brother… Groove de verdade, criativo, balançado. E o groove inundou tudo, invadiu o Jazz e criou Jaco Pastorius, a lenda do baixo, que eu recomendo pra quem quiser saber o que é fazer arte com um instrumento. E a partir de Jaco o baixo elétrico se solidificou e se desenvolveu como um instrumento de inúmeras possibilidades.
Então depois de pensar isso tudo, me pergunto qual é o meu papel nessa história de baixo. A afirmação que mais me fez sentido é que “O baixo está a serviço da música”. Pois é, a serviço da música indica que o baixista deve sentir a música e entendê-la, e dedicar toda a sua criatividade para dar para música aquilo que ela pede de você. É bem diferente de marcar ritmo, ou de ser o instrumento principal na banda, como alguns fazem. É uma questão de que a composição é maior que os instrumentos individuais, e que tudo deve interagir para formar um todo. O músico deve entregar-se à composição.
Não estou querendo me gabar, mas acho que Jaco Pastorius pensava da mesma forma. Ao escutar um disco dele, dá para perceber que o baixo não é o principal, mas sim a música. E a partir da música é que ele invoca a sua genialidade de instrumentista.
Então concluo dizendo que o músico deve servir à música, e não ao seu instrumento.
O mais importante é criar música, fazer coisas novas e não ter medo de quebrar as fronteiras da criatividade.
Ivan Quirino
(O texto acabou ficando meio sério no final, comigo é assim, começo na inocência, e daqui a pouco entro em estado de reflexão, coisa de doido mesmo.)

5 Comentários
Gostei demais dessa coisa de doido!! :p
) Eu nao sabia quase nd sobre baixo, agora já posso dizer q sei alguma coisa ne?! =p eu sou Próbaixo, sem baixo naum tem graça não o/\o
me identifico cm esse tipo de texto cômico-reflexivo (nem sei se isso existe
dalé ivanzinho.
Interessante. Mais do que o baixo, o baixista (e todo músico) está à serviço da música.
só faltou dizer que você aprendeu a tocar baixo hj!
eoiaehohaeohaiae
Eitaa todo estilizado!
ou seja, nada