Hoje quando estava indo para o trabalho observei um fato bem interessante. Nunca tinha visto um ônibus eficiente funcionando. Dei sorte hoje.
O cobrador levanta, vai até a porta do meio. Meio desajeitado com os botões, demora um pouco para a plataforma descer. Eu observei atentamente tudo isso, desde como a plataforma funcionava, os movimentos mecânicos, prestei atenção na expressão do cobrador, do cadeirante, e das pessoas em volta. As pessoas parecem surpresas, em um misto de não entenderem como aquilo funciona e a surpresa de ‘isso realmente fuciona’. O cobrador mostra-se bem atento e cuidadoso. Mas no rosto do cadeirante, via-se só uma expressão: Satisfação.
E eu também fiquei satisfeito, pois vi um desejo de liberdade, de poder ir e vir, sendo realizado. Poder ir de um lugar a outro sem ter alguém cuidando de você, deve ser a liberdade mais cobiçada por essas pessoas.
Ter ônibus eficientes na rua não sai barato. Cadeirantes não pagam, e o equipamento é caro. Isso para mim é inclusão social. Diferente do governo que cria bolsa família, bolsa escola, bolsa camisinha, esse tipo de inclusão não é dar algo para pessoas, mas sim permitir que as pessoas realizem aquilo que desejam. Ao dar uma ‘bolsa’ para as pessoas está sendo criada uma situação de dependência. O cidadão acostuma-se com a esmola do governo.
O que deve ser feito é permitir e dar meios para que as pessoas se realizem.
Apesar de termos ônibus eficientes na cidade, a situação está longe da ideal. Outro dia havia um cadeirante na parada de ônibus, e o ônibus que veio não era equipado, então eu fui e ele ficou. Então acho justo que todos os ônibus tenham o equipamento de apoio a cadeirantes, já é difícil para quem pega ônibus, imagine quem espera o dobro, o triplo do tempo, aguardando um ônibus eficiente.


